O jornal eletrônico de Águas Claras • Quinta Feira, 20 de Setembro de 2018

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Comunidade

Águas Claras e o descumprimento da lei no cuidado de cães

Em meio ao crescimento populacional desordenado que Águas Claras ostenta, os belos jardins e calçadas da cidade tem marcas indesejadas, fruto de passeios dos cachorros de moradores locais a aliviarem suas necessidades em qualquer lugar

Por Alex Wendel Schonhardt Nunes

O alvoroço aguasclarense na construção de prédios e mais prédios, que desafia imaginar se houve respeito às normas da Lei Orgânica do Distrito Federal em termos de ocupação de solo, agora traduz-se numa ebulição de mal cheiro pelo estoque de cocô e xixi que os moradores insistem em deixar de presente aos cidadãos transeuntes daqui.

O título cocolândia que é amplamente divulgado nas redes sociais demonstra a concentração dos resíduos orgânicos caninos encontrados e bastante pisoteados na cidade escolhida para abrigar a residência oficial do governador.

 

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Um dado interessante é que ao cruzar as ruas e avenidas da metrópole, diferentemente de Taguatinga, Ceilândia, Areal e Vicente Pires que são bastante próximas, dificilmente encontra-se cachorros de rua. Ao contrário do que se imagina seria mais fácil resolver o problema sanitário se o Estado pudesse restringir a quantidade de cães. Bastaria um empenho do Centro de Controle de Zoonoses do Distrito Federal, pois proporcionalmente se diminuiria os níveis de excremento canino e seus problemas.

Mas como cada animal tem um dono, a dificuldade é bem maior pois necessitaria de bom senso e educação dos moradores para diminuir a concentração de dejetos. Definitivamente os números mostram que em Águas Claras pouco há no assunto catar bosta canina.

Proprietários das mais diferentes raças destes quadrúpedes, seus bípedes pagam até pequenas fortunas por estes carinhosos companheiros. Desfilando pelas ladeiras e praças abanando o rabo (falo dos cães), dividem seu tempo em lamber os donos e sua própria genitália, haja vista que nem todo dia é dia de banho e tosa.

Mas fora esse carinho linguar, o risco de contaminação pelas titicas abandonadas e prontas a grudarem em nós, consta em uma lista da Orgnização Mundial da Saúde (OMS), que contempla mais de 200 zoonozes – doenças transmissíveis de animais vertebrados para humanos e vice-versa. Dentre estes, os parasitas mais comuns são os vermes. Dados da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (United States Agency for International Development) revelam que mais de 75% das doenças humanas emergentes do último século são de origem animal.

O diretor do Curso de Veterinária da Uniban (Universidade Bandeirante de São Paulo), José Alberto Pereira da Silva, explica que além de causar mal-estar por conta do odor desagradável, as fezes deixadas nos locais públicos podem transmitir doenças. “As fezes são eliminadas com ovos de parasitas, que podem gerar enfermidades como o bicho geográfico e lombrigas. Correm riscos tanto o homem quanto o próprio animal”, alerta.

Segundo Silva, dependendo do grau de infecção, as parasitoses, como são conhecidas essas doenças, podem levar à morte. “E o perigo é muito maior para as crianças, pois, na maioria das vezes, elas têm uma noção de higiene que ainda não é adequada e acabam tocando nas fezes, areia ou grama contaminadas”, afirma.

 

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Conviver e entrar em contato com as fezes é um risco à saúde e este conceito certamente está disseminado entre os milhares de residentes deste burgo. Normalmente localidades periféricas, sem infraestrutura adequada precisam se submeter a verminoses advindas do contato com estrume, muitas vezes por conta do esgoto correr a céu aberto, ou insetos pousarem nele e depois pousarem nos alimentos, causando contaminação. Em Águas Claras a bosta fica deitada a céu aberto e os insetos deleitam-se do banquete de catabólitos de excelentes rações consumidas.

Se para a saúde há um risco confirmado por autoridades sanitárias com relação ao tema, existe um perigo ainda maior, principalmente no que se refere a cães de médio e grande porte moradores da região. O risco à integridade física do dono ou de outras pessoas é iminente conforme é noticiado corriqueiramente. Há pouco mais de um ano a revista Super Interessante fez um estudo sobre a agressividade dos cães pit bulls. Raça bastante frequentes no Parque Águas Claras e imediações.

“Cães violentos estão sendo cada vez mais usados como armas de fogo. Eles refletem o aumento da violência na sociedade”, diz à SUPER Randall Lockwood, pesquisador de comportamento animal da Sociedade Humanitária dos Estados Unidos. O pit bulls, que entraram no Brasil só em 1988, não são os únicos violentos. Outro cão feroz da lista é o rottweiler. Ele explicou que pit bulls e rottweilers bem-educados não saem mordendo. Seria uma ótima notícia se nossos vizinhos e concidadãos tivessem educação para educá-los. Mas pela disseminação de cocô que os tutores aguasclarenses ventilam, educar não é seu forte.

Desde o ano de 1991 que essas raças foram proibidas na Inglaterra, França, Dinamarca, Holanda, Noruega, Bélgica, Porto Rico e várias cidades do Canadá e Estados Unidos. Porém nestas terras distantes da civilização, onde ainda impera o Estado de Violência, no qual muitos querem ter sua arma, justiça pelas próprias mãos, olho por olho e um assassinato a cada 9 minutos, ter um cão que pode matar ou dilacerar parece pouco.

Provavelmente a musculatura e virilidade de cães que são ótimos para ataque seja a resposta na qual alguns donos, desprovidos de alguma dessas qualidades se projeta nele. Este então passa ser treinado à violência que também seu dono carrega e o resultado pode ser imprevisível. “Sua história (pit bulls) começou na Inglaterra, no século XVIII, quando espetáculos semelhantes às touradas eram muito populares”, contou à SUPER Marcus Rito, do Kennel Clube de Brasília. Musculosos e de focinho curto, os bull dogs, como diz o nome em inglês, lutavam com touros. Mordiam o focinho deles e não largavam. Poucas atrações divertiam tanto os ingleses até 1835, quando foram proibidas e substituídas pelas lutas de cães. Para isso, os bull dogs, pouco ágeis, não serviam. Foram então cruzados com os terriers, o que gerou os bull terriers, ancestrais diretos dos pit bulls.

Para tentar minimizar os riscos de ataques a cidadãos, entrou em vigor no dia 30/9/1998 a Lei Distrital 2.095/98 que regulamente e estabelece diretrizes sobre o cuidado com animais de estimação. Rapidamente se vê que no Art.11 § 2° que : Cães de grande porte, de raças destinadas a guarda ou ataque, usarão focinheira quando em trânsito por locais de livre acesso ao público. A medida que certamente causa impopularidade para os proprietários desta mercadoria que denominam melhor amigo, e que simplesmente é bastante abandonada pelos brasilienses. Muito mais nas terras de águas translúcidas. Mas à frente existem sanções para o descumprimento da lei, onde se lê no Art. 15, que será apreendido o animal que for encontrado nas vias e logradouros públicos, sem satisfazer as condições estabelecidas nos § 1º e 2º do art. 11;

Resta então, solicitar que esta regulamentação seja cumprida pelo poder público para que sejam evitados incidentes que podem mesmo ser fatais.

veja o que diz o artigo 11 da Lei 2.095:

 

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