O jornal eletrônico de Águas Claras • Sábado, 21 de Julho de 2018

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Evidências mostram que os aplicativos de namoro estão transformando a sociedade

Sites de relacionamento mudaram a maneira que as pessoas estão se econtrando. Agora há evidências de que essas mudanças influenciam nos níveis de casamentos interraciais e até na estabilidade dos casamentos.

 

Por Emerging Technology de arXiv

 

Há pouco tempo atrás, ninguém se conhecia online. Até que, nos anos 1990, chegaram os primeiros sites de relacionamento.

 

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O Match.com foi ao ar em 1995 nos Estados Unidos. Uma nova onda de websites, como o OKCupid, chegaram a partir dos anos 2000. E em 2012, com a chegada do Tinder, as coisas mudaram ainda mais. Hoje mais de um terço dos casamentos começam online.

 

Como era de se esperar, esses sites tiveram um grande impacto no comportamento das pessoas. Mas agora chegaram as primeiras evidências de que essas mudanças são muito mais profundas.

 

 

Por mais de 50 anos pesquisadores estudaram a natureza das redes que ligam uma pessoa à outra. Essas redes sociais compartilhavam de uma característica peculiar.

 

O tipo mais básico de rede social ligava um nó com o seu vizinho mais próximo, num padrão de xadrez ou grade. Outro tipo básico de rede são as que se ligam aleatoriamente. Mas as redes sociais não se comportam nem de uma maneira nem de outra. Em vez disso, as pessoas se conectam fortemente por um pequeno grupo de vizinhos e mais vagamente por pessoas mais distantes.

 

Essas ligações vagas tendem a ser importantes. “Essas ligações mais fracas servem de ponte entre nosso grupo de amigos próximos e outros grupos coesos, o que nos permite conectar com a comunidade global”, diz Josue Ortega da Universidade de Essex, no Reino Unido, e Philipp Hergovich na Universidade de Viena na Áustria.

 

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Ligações vagas sempre tiveram um papel importante na descoberta de novas pessoas. Pessoas não costumam namorar o seu melhor amigo, mas são mais propensas a namorar pessoas ligadas ao círculo social dos seus amigos; um amigo de um amigo, por exemplo. Na linguagem das redes sociais, parceiros são imersos nos círculos sociais uns dos outros.

 

Esse padrão era refletido nos estudos de como casais se conheciam: por amigos próximos, em bares, no trabalho, em instituições de ensino, na igreja, por meio da família etc.

 

O namoro virtual mudou quadro. Hoje, sites de relacionamento são o segundo mais comum de casais heterossexuais se conhecerem. Para homossexuais, é de longe o modo mais utilizado.

 

Isso tem implicações significativas. “Pessoas que se conhecem online geralmente são completamente estranhas, sem nenhum vínculo”, dizem Ortega e Hergovich. E quando pessoas se encontram dessa maneira, são criadas ligações sociais que antigamente não existia.

 

Ortega e Hergovich trazem à tona questões como de que maneira isso altera a diversidade racial de uma sociedade. “Entender a evolução do casamento interracial é importante, porque casamentos interfaciais são amplamente considerados como uma medida de coesão social na nossas sociedades”, dizem.

 

Os pesquisadores começaram simulando o que ocorre quando links extras são adicionados num modelo de rede social. Sua rede consistia em homens e mulheres de diferentes etnias que eram aleatoriamente distribuídos. Neste modelo, todo mundo procurava um parceiro do sexo oposto mas só podiam se casar com alguém com quem possuísse conexão. Isso levava a uma sociedade com um nível relativamente baixo de uniões interraciais.

Mas se os pesquisadores adicionassem conexões aleatórias entre pessoas de diferentes grupos étnicos, o nível de casamentos entre pessoas de diferentes etnias crescia dramaticamente. “Nosso modelo prevê uma integração racial quase completa com a emergência de aplicativos online, mesmo que o numero de parceiros formados conhecidos por meio dessas novas ligações seja pequeno”, dizem Ortega e Hergovich.

 

E aí vem outro efeito surpreendente. Os pesquisadores analisaram a intensidade dos casamentos a partir da mensuração da distância média dos parceiros antes e depois do advento dos aplicativos de namoro. “Nosso modelo também prevê que casamentos provenientes de uma sociedade com namoro online tendem a ser mais estáveis”, afirmaram.

 

O próximo passo será comparar os resultados do seu modelo com a razão observada de casamentos interfaciais nos E.U.A. Houve um aumento nos últimos tempos, mas a porcentagem continua baixa, não apenas porque em alguns estados era proibido até 1967.

 

Mas a taxa de crescimento mudou desde a ascensão dos aplicativos de namoro. “É interessante ver que pouco depois da aparição dos primeiros aplicativos de namoro como o Match.com, as taxas de novos casamentos surgidos de uniões entre etnias diferentes subiu rapidamente”, disseram os pesquisadores.

 

O crescimento se acentuou nos anos 2000, quando o namoro virtual se popularizou. A partir de então, em 2014, a proporção uniões interraciais deu outro salto. “é interessante ver que o crescimento ocorre depois da criação do Tinder, o aplicativo de namoro mais popular”.

 

O Tinder tem cerca de 50 milhões de usuários e produz cerca de 12 milhões de matches por dia.

 

Claro que esses dados não são prova de que aplicativos de namoro foram causa do aumento de casamentos interraciais. Mas é uma hipótese muito consistente.

 

Enquanto isso, os estudos sobre a intensidade dos casamentos encontrou evidências de que casais formados por aplicativos online tem menos incidências de divórcios que aqueles que se conhecem de modo tradicional. Isso é um potencial bastante benéfico para a sociedade, e é o que os modelos de Ortega e Hergovich prevêem.

 

São revelações profundas. Essas mudanças tendem a continuar, e a trazer benefícios à sociedade também.

 

 

Artigo original: First Evidence That Online Dating Is Changing the Nature of Society / MIT Technology Review

 

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