O jornal eletrônico de Águas Claras • Sábado, 23 de Junho de 2018

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Poesia

Nasce uma estrela- Mariana Basílio

Mas estas são qualidades inerentes a todos os seres humanos, alguém poderia questionar.

Todavia, há seres humanos, poetas ou não que desenvolvem boas qualidades e bons sentimentos humanos, como empatia, generosidade, gratidão, lealdade e amor genuíno ao próximo.

Estes seres humanos, porém, não são comuns entre nós atualmente, são em essência, pessoas evoluídas, quase divinas. Estes compreendem a natureza da qual foram forjados originalmente, são criaturas puras de coração, e o fato de terem dons especiais para as artes, não os faz presumir que outros não possam ter, no mesmo grau ou ainda mais elevados, os mesmos dons. Estes, portanto, não são vaidosos nem ciumentos a ponto de desprezar seus pares.

 

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Assisti um pouco apreensivo, a um depoimento de um poeta, que a meu ver deixou claro que não gostava do estilo de Mariana, a priori. Todavia, o poeta, claro que por sua distinta formação, não pôde compreender o que lia facilmente. Lógico que foi pelo fato de estar diante de algo espantoso e singular. Todos os grandes poetas e gênios de forma geral sofreram esta injustiça. Eu não tive dificuldades para entender e reverenciar, logo que vislumbrei o óbvio: Mariana é genial, seu texto não tem compromisso com regras arcaicas, ou métricas exaustivas, sua poética causa impacto no leitor, sem melacolia barata, o mesmo impaco que me causou a leitura do poema: (a Tabacaria de Fernando Pessoa), por sua fluidez inteligente, embora tenha total domínio da “língua culta” e do estilo clássico universal.

L

“E sonho-te 
quando ansiava ser um sonho teu. ”
Mia Couto

Quando aguardava no vazio

da noite o teu chamado.

Quando eu ainda

 

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te amava em

silêncio.

A vida se esparramava.

Ondas engoliam artérias.

Minha figura, mar.

Mulher-epitáfio.

(Transparente.)

Quando aguardava que o tempo

mastigasse as horas longínquas

fui lentamente menos

lembrada.

Eu sei.

Quando escutava os gritos da noite,

ao cobrir a mudez das palavras.

Quando era tarde demais.

Quando era cedo demais.

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Por isso penso que elogiar um poeta, ter a capacidade e o caráter intelectual para expressar o que realmente sentimos com relação ao talento de outro poeta e demonstrar espanto reverente para com a obra de alguém, para esta geração narcisista é de fato um grande entrave e, ao mesmo tempo para mim, um crivo revelador dos verdadeiros poetas entre nós.

A poesia de Mariana Basílio para mim é incomum, mas isso em comparação com centenas de poetas contemporâneos que conheço e convivo. Sua poética me faz lembrar a de Rimbaud e Emily Dickinson, e no Brasil de Hilda Hilst, não em comparação ou réplica, mas, sobretudo pela grandeza de espírito que há em todos estes.

Mariana Basílio, será grande, pois não acredito que este segundo livro, (Sombras & Luzes) seja a conclusão de sua obra, embora se fosse o caso seria suficiente para perpetuar sua poesia entre os grandes nomes mundiais. Contudo, devo admitir que nasceu uma estrela fulgurante entre nós, há uma deusa da poesia, que agregar todas as características citadas nesta humilde nota sobre a poesia incomparável de Mariana Basílio.

Evan do Carmo

Evan do Carmo, Nascido na Paraíba em (29/04/64) é poeta, escritor, romancista, jornalista, músico, filósofo e crítico literário. Fundou e dirigiu o jornal Fakos Universitário. Criou em 2009 a revista Leitura e Crítica. Tem 22 livros publicados, sua obra está disponível em 12 países, (um livro editado em inglês. (O Moralista) Entre outros estão: O Fel e o Mel, Heresia poética, Elogio à Loucura de Nietzsche, Licença Poética, Labirinto Emocional, Presunção, O Cadafalso, Dente de Aço, Alma Mediana, e Língua de Fogo. Participou também com muitos contos em antologias. Foi um dos vencedores do concurso Machado de Assis do SESC DF de 2005. Em 2007 foi jurado na categoria contos do concurso Gente de Talento 2007 promovido pela Caixa Econômica Federal, ao lado de Marcelino Freire. Em 2012 criou e editou até 2015, os Jornais: Correio Brasília, Jornal de Vicente Pires, Jornal de Taguatinga e o Jornal do Gama. Evan do Carmo é estudioso da obra de José Saramago, em 2015 publicou o livro Ensaio Sobre a Loucura, e o livro Reflexões de Saramago, momentos antes de sua morte, o livro nos oferece um panorama perfeito na voz do próprio Saramago em forma de ficção ensaísta, sobre a obra do Nobel Português. Em 2016 criou a Editora do Carmo e o projeto Dez Poetas e Eu, onde já publicou 100 poetas, e o livro Um Brinde à Poesia, uma obra de coautoria com outros poetas contemporâneos.

Palestras e oficinas literárias (61) 8413-0422

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