O jornal eletrônico de Águas Claras • Quarta Feira, 18 de Julho de 2018

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Cultura

Até que ponto somos seres humanos

Diz Albert Camus: “Se o homem falhar em conciliar a justiça e a liberdade, então falha em tudo. “Penso sempre sobre isso, não raro quando percebo o quanto o ser humano erra o alvo neste aspecto universal de comportamento. Sempre houve e haverá injustiça entre os humanos, este fato se dá porque: “Não é do homem terreno o dirigir o seu passo. ”

Contudo, existem normas e princípios divinos, que se forem seguidos de perto podem fazer a vida do homem em sociedade ser bem-sucedida, e, sobretudo justa. Não há justiça humana que agrade a todos os homens, mesmo que todos estejam inseridos em uma mesma sociedade, onde por praxe, se deva praticar todos os costumes de forma equânime. Sempre surgirá a corrupção e a violência como forma de quebrar a ordem pública e comum.

Falando sobre isso, entendam o que ocorre no sistema judicial e prisional brasileiro. Um juiz comum pode prender alguém, apenas com uma denúncia ou indícios de um delito. Outro pode soltar um marginal, traficante ou bandido perigoso de colarinho branco, basta que se tenha muito dinheiro ou ainda bons advogados.

 

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Na prisão, onde há excesso de lotação e crueldade por meio de tortura física e psicológica, o cidadão preso, mesmo sem ter sido condenado pode ser morto, quando não acontece o pior, ele é extorquido, pois aquilo que seria obrigação do estado, passa a ser privilégio de poucos, que têm família com condições de pagar, pagar para ter o básico, comida, uma peça de roupa lavada, e até visita íntima. No rio de janeiro, policiais cobram da família do preso 300 reais para que a esposa, que por lei teria o direito a visitar o marido.

Mas tudo isso já é cultura no Brasil, “estamos acostumados. ” Todavia me atenho hoje a outro fato, à violência e à injustiça que praticam, certos cidadãos, que se dizem cultos, educado e politizados. Com o advento da inclusão digital, com o avanço global do acesso à internet e às redes sociais, todos podem dizer o que pensam, ofender quem quer que seja, e isto tem ocorrido, sobretudo com a sociedade “politizada, ” quando estas pessoas fazem uso indiscriminado do seu direito de expressão.

Um exemplo: O cantor e compositor, escritor e dramaturgo, Chico Buarque, se manteve em silêncio nos últimos anos sobre os ataques que recebe nas ruas e na internet por conta der suas posições políticas. Mas o silêncio foi quebrado na noite desta quarta-feira (13), no palco, na estreia nacional do show Caravanas, no Grande Teatro do Palácio das Artes, em Belo Horizonte. A fala foi feita no embalo do forte coro de “Fora, Temer! ”, puxado pela plateia após Chico cantar a música “Grande hotel” em homenagem ao baterista Wilson das Neves, músico que morreu neste ano e a quem o show é dedicado. ‘Viado! Vá para Cuba. Viado! Vai passear em Paris’. O único consenso é o viado”, afirmou Chico, irônico, sendo aplaudido pela plateia.

Não compactuo com esta atitude prevalecente em nossa geração, não defendo também quem faz da arte pura e sagrada como é a poesia e a boa música, um meio de ideologia política, como fez o Chico Buarque, embora ele tenha lá os seus motivos, basta ler sua biografia, contudo é um direito dele, não pode por isso ser massacrado publicamente como estão fazendo com Ele. A política deve seguir seu caminho, longe do caminho iluminado onde reside a inteligência emociona, sobretudo do verdadeiro artista.

Olhando o mundo, os homens e suas ações, me pergunto: Até que ponto ainda somos humanos, seres, que segundo crença universal fomos feitos a imagem e semelhança de Deus?

 Por Evan do Carmo 14/12/2017

 

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Evan do Carmo, Nascido na Paraíba em (29/04/64) é poeta, escritor, romancista, jornalista, músico, filósofo e crítico literário. Fundou e dirigiu o jornal Fakos Universitário. Criou em 2009 a revista Leitura e Crítica. Tem 22 livros publicados, sua obra está disponível em 12 países, (um livro editado em inglês. (O Moralista) Entre outros estão: O Fel e o Mel, Heresia poética, Elogio à Loucura de Nietzsche, Licença Poética, Labirinto Emocional, Presunção, O Cadafalso, Dente de Aço, Alma Mediana, e Língua de Fogo. Participou também com muitos contos em antologias. Foi um dos vencedores do concurso Machado de Assis do SESC DF de 2005. Em 2007 foi jurado na categoria contos do concurso Gente de Talento 2007 promovido pela Caixa Econômica Federal, ao lado de Marcelino Freire. Em 2012 criou e editou até 2015, os Jornais: Correio Brasília, Jornal de Vicente Pires, Jornal de Taguatinga e o Jornal do Gama. Evan do Carmo é estudioso da obra de José Saramago, em 2015 publicou o livro Ensaio Sobre a Loucura, e o livro Reflexões de Saramago, momentos antes de sua morte, o livro nos oferece um panorama perfeito na voz do próprio Saramago em forma de ficção ensaísta, sobre a obra do Nobel Português. Em 2016 criou a Editora do Carmo e o projeto Dez Poetas e Eu, onde já publicou 100 poetas, e o livro Um Brinde à Poesia, uma obra de coautoria com outros poetas contemporâneos.

Palestras e oficinas literárias (61) 981188607

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