O jornal eletrônico de Águas Claras • Quarta Feira, 20 de Junho de 2018

Setembro amarelo

Suicídio aumenta 12% em 4 anos no Brasil


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Dados preocupam o Ministério da Saúde.

 

Em 1897, Émile Durkheim, um dos pais da sociologia (junto a Marx e Weber) publicou O Suicídio, uma das suas obras mais importantes, por apresentar de modo pleno seu método de estudo. Analisando algo considerado como tabu por vários motivos e o transformando em fato social, classificando as formas de suicídio, identificando sua incidência em diferentes regiões da França e da Europa, Durkheim foi precursor de um movimento de psicólogos, sociólogos e homens públicos que transformariam o tabu em questão de saúde pública.

 

Hoje o Ministério da Saúde anuncia um dado alarmante: o número de suicídios aumentou 12% entre 2011 e 2015. A incidência é maior nas regiões Sul e Sudeste. A região Sul particularmente concentra uma taxa elevada dos casos (23%) enquanto responde apenas a 12% da população. Segundo a diretora do departamento de Doenças e Agravos Não Transmissíveis do Ministério da Saúde, Fátima Marinho, o aumento dos casos pode estar relacionado ao aumento populacional.

 

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Assim como os antigos estudos de Durkheim trouxeram revelações que desafiavam do senso comum da época, o Boletim Epidemológico lançado no dia 21 de setembro trouxe informações que intrigam os pesquisadores do Ministério da Saúde: “Intriga o fato de os casos se registrarem numa área onde há um alto nível de renda, pouca desigualdade”.

 

O Sul é acompanhado pelo Ministério da Saúde há 10 anos. Há fortes indícios de que o problema possa estar relacionado à cultura do fumo e aos agrotóxicos usados nas lavouras.

 

 

“Pesticidas manganês aumentam o risco de provocar danos ao sistema nervoso central”, observa Fátima. Para ela, essa relação precisa ser acompanhada de perto. “Além do suicídio, a ação do pesticida está associada a outros agravos, que também precisam ser avaliados, como câncer e más-formações congênitas. Esse assunto precisa estar na agenda.”

 

Imagem: Le Suicide (1877), Edouard Manet / Com informações do Estadão.

 

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