O jornal eletrônico de Águas Claras • Quarta Feira, 18 de Julho de 2018

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Crise

Dívidas de água e luz crescem mais de 150% no DF

O CDL ainda não fechou os dados de outubro, mas, espera que seja melhorado o índice

No Distrito Federal, setembro fechou com a maior alta do ano no número de dívidas em atraso nas contas de água e luz. Os dados são do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), divulgados na capital pela Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) do DF, e fazem uma comparação com os números apurados no mesmo mês de 2016. O aumento foi de 151,44%. Enquanto isso, outros setores apontaram queda nas dívidas, como bancos (4,26%), comunicação (3,58%) e comércio, com 8,72% a menos.

Ainda na comparação com dados do ano passado, pela primeira vez em 2017, o DF teve um recuo menor do que a média nacional nas dívidas em atraso: 2,02% ante 5,06% – nos meses anteriores, a cidade havia obtido resultados melhores que a média do País. Na passagem de agosto deste ano para setembro, as dívidas aumentaram 1,9%, enquanto a média brasileira diminuiu 0,43%.

O número de pessoas inadimplentes também caiu menos no DF do que no restante do País, embora de maneira menos expressiva: 0,33%, ante 0,89%. Na variação mensal de agosto a setembro de 2017, houve aumento de 1,77% (a média nacional apresentou ligeira queda de 0,13%). A faixa etária com maior crescimento de endividados, como nos meses anteriores, segue entre 85 e 94 anos (16,79%), com a faixa de 65 a 84 anos logo atrás (14,99%). Apenas as faixas de 18 a 39 anos apresentaram queda.

 

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Segundo o presidente da CDL-DF, José Carlos Magalhães Pinto, o fator mais relevante para o crescimento excessivo nas dívidas de água e luz é o aumento constante no valor das tarifas de 2017. “Em poucos meses saímos da bandeira verde para a amarela, e agora já estamos na vermelha nas contas de luz. Em julho, tivemos acréscimo de R$ 2 a cada 100 quilowatts/hora. Em agosto, a Agência Nacional de Energia Elétrica anunciou novo aumento, para R$ 3. Em outubro, a situação só piora, pois entramos na tarifa mais cara do modelo, de R$ 3,50”, explica.

A falta de chuvas, que foi crítica em setembro, é apontada por especialistas do setor como a principal razão do aumento, pois reduz o volume de água para geração hidrelétrica, o que faz crescer a produção termelétrica, mais cara. Com o horário de verão mostrando queda na economia energética nos últimos anos (especialmente em virtude de mudanças de hábitos e do horário de pico de consumo dos brasileiros) e o calor batendo recordes – Brasília atingiu 37,3ºC esta semana – a expectativa não é de melhora. “A venda de aparelhos de ar-condicionado é crescente, o que consome muita energia e encarece a conta, especialmente na bandeira vermelha”, comenta Magalhães.

O presidente da CDL-DF lembra que as novas tarifas afetam fortemente o comércio, que normalmente apresenta uso bem mais elevado de energia que uma residência. Mas é otimista com relação às vendas. “Apesar desse mês atípico, até agosto deste ano o DF apresentou quedas consecutivas nos índices de inadimplência, e as vendas melhoraram em todas as datas comemorativas, na comparação com dados de 2016, ainda que esse crescimento seja tímido”, opina.

CDL DF

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