O jornal eletrônico de Águas Claras • Quarta Feira, 25 de Abril de 2018

Prevenção

Tentativa de suicídio em Águas Claras: um silencioso problema que precisa ser debatido


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Exclusivo: garoto se joga do 15º andar de um prédio em Águas Claras e está vivo

 

Um jovem de aproximadamente 16 anos, residente em um prédio próximo ao Shopping Felicittá, pulou do 15º andar e caiu sobre uma espécie de lona de cobertura da piscina. Ele foi socorrido pelo síndico, segundo informações, e milagrosamente está vivo. No momento passa por exames.

 

De acordo com a Organização Mundial de Saúde, 90% dos casos de suicídio poderiam ser evitados com tratamento adequado, visto que, em sua maioria, estão associados a transtornos psiquiátricos, especialmente a depressão.

 

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O “efeito Werther”

 

“Lendo as obras de Werther”, pintura de Wilhelm Amberg, 1870

 

O nome desse fenômeno se deve à célebre obra de Johann Wolfgang von Goethe: “Os sofrimentos do Jovem Werther“. Logo após a sua publicação em 1774, jovens começaram a imitar o personagem principal vestindo calças amarelas e jaquetas azuis.

 

No romance, Werther atira em si próprio com uma pistola depois da rejeição da mulher que ele amava, e logo após sua publicação começaram a existir relatos de jovens rapazes usando o mesmo método para se suicidarem em um ato de semelhante desesperança.

 

O termo foi cunhado por David Phillips em 1974, para designar esta onda de suicídios copiados em seus estudos.

 

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Com o aumento do interesse de autoridades e especialistas o suicídio passou a ser tratado como questão de saúde pública, com preocupação de todos os setores da sociedade, inclusive a mídia e a imprensa. Se o Aqui Águas Claras não traz mais detalhes sobre o recente caso, é por consideração à família e aos efeitos que este tipo de notícia pode causar à pessoas psicologicamente vulneráveis.

 

A série norte-americana “13 Reasons Why” (‘Os 13 porquês’) da Netflix, inspirada num romance homônimo de Jay Asher, trouxe à tona o debate da ética em se retratar o suicídio de forma romantizada como na série.

 

A imprensa e os tabus

 

Grandes jornais em geral evitam o tratamento do tema, para não influenciar outras pessoas, só informando casos notórios com muita discrição.

 

O primeiro estudo de Durkheim sobre o suicídio foi desenvolvido em 1897; de lá para cá, profissionais de diversas áreas dedicaram-se a pesquisar se o conhecimento de algum suicídio poderia influenciar outros. Ainda não foi possível comprovar a influência da mídia sobre suicidas potenciais e tampouco há consenso entre pesquisadores da área da saúde e das humanas sobre o tema. O psiquiatra Wolgran Alves Vilela, coordenador da área de Psiquiatria do Hospital de Clínicas da Unicamp, em entrevista à jornalista Miriam Abreu, declarou que histórias que envolvem suicídio podem ser divulgadas com tranquilidade, desde que os casos não sejam explorados de forma sensacionalista, e acrescentou: “A divulgação tem mais valor positivo do que negativo, já que aguça o interesse de estudiosos e autoridades, que tentam prevenir mais casos de suicídio”.

 

O psiquiatra Roosevelt Cassorla, que escreveu dois livros sobre o tema, O que é suicídio e Do suicídio, acredita em uma influência da mídia quando o suicida foi uma pessoa de vida pública e conhecida da sociedade, já em notícias de suicídio de pessoas desconhecidas a influência seria menor. No entanto, ele ressalta que o poder de persuasão da imprensa só atinge pessoas que já apresentam predisposição ao suicídio.

 

Procure a CVV: ligue 188

 

O Centro de Valorização da Vida presta apoio emocional gratuitamente 24 horas por dia, de forma totalmente anônima e sigilosa. Os atendimentos podem ser feitos por telefone, e-mail, Skype, chat, ou pessoalmente.

 

Endereço: o posto de atendimento funciona no Setor de Rádio e TV Norte Quadra 702, Edifício Brasília Rádio Center, sobreloja 5.

 

Telefones: atendimento 141, mais informações 188.

 

Ou entre em contato pelo chat, e-mail ou skype

 

 

Aqui Águas Claras

 

 

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