O jornal eletrônico de Águas Claras • Sábado, 23 de Junho de 2018

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Escolas particulares vão aumentar 12% para 2018 e não tem para quem apelar

 

 

As escolas particulares do DF vão repassar aos pais de alunos o percentual de 12% de reajustes para o ano de 2018 sem dó e nem piedade.

 

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A base da economia do DF é de servidores públicos distritais e federais que não tiveram reajustes suficientes para pagar as despesas com a família. Por conta disso, a Secretaria de Educação do Df declarou que mais de 15 mil estudantes das escolas particulares migraram para as escolas públicas. Com isso, a educação pública que não está bem, piorou, pelo inchaço e superlotação das salas de aula, atitude antipedagógica.

Além disso, as escolas teimam em abarrotar os pais de livros caríssimos, quando podia em plena era da informática avançada, utilizar sistemas em Tablets (com atualização anual) para diminuir os custos. Para se ter ideia, alguns livros para um aluno de 6º ano, custa em média, R$ 1.900 reais, fora o material escolar.

 

Com certeza, as escolas pagam mal seus professores e não repassam esses aumentos exorbitantes para seus salários. Passou da hora do Ministério Público comprar essa briga e cuidar mais da nossa educação e o que está por trás de tudo isso.

 

A Associação de Pais e Alunos das Instituições de Ensino do DF, publicou em seu site a sua contestação e indignação com relação a essa medida. Veja:

 

“Com a forte recessão que estamos vivendo, esperamos das escolas, mais que nunca, a parcimônia no aumento das mensalidades para evitar mais um êxodo para as escolas públicas que já têm as dificuldades conhecidas. A escola pública não suportará essa sobrecarga. Do ano passado para este ano, foram mais de 12 mil matrículas de pais oriundos das escolas particulares.

 

Já estamos monitorando os aumentos que, para o próximo ano, se mostram que estarão na casa dos 5,5% a 12%, podendo ser, em algumas escolas, ainda maiores!

 

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Se considerarmos a previsão de inflação para este ano, que estará na casa dos 4,5%, vemos que existem escolas mais cautelosas como o Colégio Olimpo, por exemplo, que reajustou em cerca de 5,5% suas mensalidades, próximo da inflação. Esse aumento comedido, na casa de 1 dígito, é inédito nos últimos anos. Esse colégio também nos serve de exemplo, pois não reajustou, para 2018, as mensalidades do 3º ano do Ensino Médio!

 

Enquanto isso, observamos o Marista, cujo aumento se manteve em 2 dígitos, cerca de 10%! Vemos que a escola parece não estar consciente do que está acontecendo na economia e no arrocho salarial dos pais!

 

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Nosso receio é que muitos pais, que resistiram o aumento dado no ano passado, não tenham a mesma resiliência com relação ao aumento para 2018. Isso porque muitos são assalariados, funcionários públicos ou da iniciativa privada que tiveram seus vencimentos congelados ou até perderam emprego, ou estão participando de Planos de Demissão Voluntária – PDV.

 

Isso tudo, junto e misturado, mostra a falta de transparência exigida pela Lei 9.870, de 23 de novembro de 1999, a qual exige que as escolas demonstrem, através de Planilhas de Custos, as razões do aumento.

 

MÉDIA DE AUMENTO NOS ÚLTIMOS 5 ANOS

 

Estimamos a média de aumento dos últimos 5 anos baseado nos aumentos médios das mensalidades escolares em cerca de 10% anuais. Então, continuamos com a média estimada em torno de 50%. Entretanto, não só o aumento médio deve ser considerado, pois existem escolas em que a média desses aumentos pode chegar a 80% ou mais, pois praticam aumentos anuais variando de 10 a 20%.

 

FALTA TRANSPARÊNCIA , FALÊNCIA e VENDA DE ESCOLAS

 

O SINEPE sempre reclama que as escolas estão em dificuldades, mas essas dificuldades nunca são levadas aos pais, que só tomam conhecimento quando as escolas fecham ou são vendidas, conforme recentemente, a MAPLE BEAR e o Colégio Sërios que foi vendido para o grupo Millenium de Goiânia. Hoje, um dos sócios desse Grupo, o Sr. Marcelo, que foi um dos donos do Olímpio de Goiânia (que quebrou), é o diretor geral da escola. Para os pais, os antigos donos dizem que só houve uma parceria, com a negociação de parte do capital.

 

Mas é sempre assim, nunca falam a verdade. Curioso notar que toda venda ou fusão é anunciada no meio do ano e nunca no final! Uma transformação está sendo feita no colégio, com dispensa de professores mais antigos e mais cortes de atividades, como há um tempo o colégio já tinha cortado o mandarim, carro chefe que levou muitos pais a colocarem seus filhos na escola!

 

PLANILHA DE CUSTOS

 

O instrumento legal para a transparência é a exibição da Planilha de Custos, as quais só são disponibilizadas por força de decisão judicial ou apresentada ao MP, em processo administrativo, quando requisitada pelo órgão. Isso mostra a fragilidade da argumentação de que as escolas estão em dificuldades financeiras.

 

AUMENTO DAS MENSALIDADES, FORA O AUMENTO ANUAL

Existe, ainda, outro aumento da mensalidade que não é considerada no percentual anual, mas que os pais de alunos acabam por desembolsar essa quantia a mais. Trata-se da mudança de nível, numa mesma escola. As mensalidades vão num crescendo desde a educação infantil até o ensino médio. Assim, dependendo de cada escola, o aumento da mudança de nível deve ser somado ao aumento anual,  variando de 20% a 50%.

 

Ex: Olimpo: 2017. Mensalidade fundamental I, cerca de R$1.900 para o fundamental II, que é cerca de R$ 2.640. Neste caso, a diferença é de R$740,00, cerca de 40%, somado o aumento para 2018, de 5,5% = 45,5%. Entretanto, para o 3º ano do EM, o valor é maior, R$3.080,00. Este valor será mantido para 2018 sem alteração. Isso é inédito! Assim, quem passa do 2º ano para o 3º do médio tem um incremento de cerca de 17%, somados aos 5,5%, do aumento anual, para 2018. No total, serão cerca de 22,5% de aumento. Isso impacta bastante no orçamento e, dependendo da renda, os pais podem considerar a troca de escola!

 

Mackenzie

 

2017

 

Educação Infantil cerca de R$ 1.870,

Fundamental I  R$ 1.870,

Fundamental II R$ 1.950,

Ensino Médio  R$  2.143,

 

Nesse exemplo, a escola tem uma variação menor de valores entre níveis. De certo, há uma composição de valores diferenciada, pois oferta highschool no contraturno e outros serviços. O Mackenzie ainda não divulgou os valores para 2018.

 

A QUALIDADE DO ENSINO PODE IMPACTAR AINDA MAIS NO DESEMBOLSO MENSAL

 

Dependendo da escola e do seu corpo docente, pode haver prejuízo grande para os pais que, além de arcarem com as mensalidades, podem gastar com aulas de reforço até uma mensalidade a mais por mês, dependendo do número de aulas e matérias a serem reforçadas! Essa falha não pode ser imputada ao aluno, na maioria das vezes, pois a escola tem que arcar com o sucesso e “fracasso” de seus alunos. Isso se chama educação de qualidade: quando as escolas entregam aquilo que foi prometido ao consumidor.

 

Vale ressaltar que em uma turma com cerca de 30 alunos de nível bom, com médias acima de 7, no máximo 6 a 8 alunos se destacam com médias acima de 9! Isso significa que a educação padronizada não consegue alcançar a todos, pois cada estudante tem o seu ritmo de aprendizado.

 

SINEPE

 

A matéria do Metrópoles, de hoje, com a afirmação de aumento de 8 a 10%, foge da realidade vivida pelos pais, pois, em geral, os aumentos são maiores. Lembrando que das 508 escolas credenciadas na SEEDF, cerca de 300 não são filiadas ao Sindicato.

 

Este ano, por exemplo, tivemos uma surpresa, já vimos escolas com aumento um pouco mais comedido, na casa de 5,5 a 10%, mas estimamos que algumas escolas ultrapassem os 12%.

 

MENSALIDADES MÉDIAS DAS ESCOLAS.

 

Variam muito, pois cerca de 80% das 508 escolas são escolas que pertencem a grupos familiares. São instituições de pequeno porte. Somente cerca de 20% das escolas são de médio e grande porte, por essa razão existirão mensalidades variando de R$ 200,00 a mais de R$ 4.000,00 mensais, sem contar as internacionais que são cobradas em dólar!

 

 

ÊXODO DA ESCOLA PARTICULAR PARA PÚBLICA EM 2017

 

Em 2017, cerca de 13 mil estudantes saíram das instituições particulares e matricularam-se na escola pública. De acordo com  os dados da SEEDF, o número é 104,15% maior que os 6.130 matriculados em 2016. O pior de tudo é que isso está relacionado à crise e não à qualidade da educação da rede pública, muito embora a escola pública do DF tenha qualidade superior a de muitas escolas particulares. Entretanto, há descontinuidade do serviço, como greves, paralisações e muitas licenças médicas, pondo por terra o que é bom na Rede.

 

Ressalta-se que, se os aumentos em 2018 se mantiverem na casa dos 2 dígitos, há risco de uma debandada ainda maior para a rede pública o que seria muito ruim, pois não há estrutura de espaço e professores para absorver essa demanda. Corre o risco do que está ruim piorar, por mais que a SEDF insista em dizer sempre que está preparada para absorver a demanda”.

 

ASPA-DF

 

Autoria da matéria: aquiagiasclaras

 

 

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