O jornal eletrônico de Águas Claras • Quinta Feira, 20 de Setembro de 2018

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Seca sem fim

“Chuvisco” em Águas Claras, causa alegria passageira

O “chuvisco” que caiu agora à pouco em Águas Claras serviu apenas para a população saber que há uma possibilidade de chuva no DF, mas, com previsão apenas para o dia 29, conforme informações do Inmet. Os metereologistas não estão muito animados quanto a quantidade de chuva esse ano, podendo comprometer os reservatórios e o racionamento pode ser intensificado, prejudicando residências e comércio.

A crise hidríca pode ser mais grave do que se pensa. Segundo Altair Sales Barbosa, da Pon­tifícia Universidade Católica de Goiás (PUC Goiás), que idealizou e realizou uma obra que se tornou ponto turístico da capital: o Memorial do Cerrado, eleito em 2008 o local mais bonito de Goiânia e um dos projetos do Instituto do Trópico Subúmido (ITS), dirigido pelo professor,  disse que na prática o Cerrado já está extinto como bioma. E, como reza o dito popular, notícia ruim não vem sozinha, antes de recuperar o fôlego para absorver o impacto de habitar um ecossistema que já não existe, outra afirmação produz perplexidade: a devastação do Cer­rado vai produzir também o desaparecimento dos reservatórios de água, localizados nele, o que já vem ocorrendo — a crise de a­bastecimento em São Paulo foi só o início do problema. Os sinais dos tempos indicam já o começo do período sombrio: “Enquanto se es­tá na fartura, você é capaz de re­partir um copo d’água com o ir­mão; mas, no dia da penúria, ninguém repartirá”, sentencia o professor.

Mas o mais importante de tudo isso é que as águas que brotam do Cerrado são as mesmas águas que alimentam as grandes bacias do continente sul-americano. É daqui que saem as nascentes da maioria dessas bacias. Esses rios todos nascem de aquíferos. Um aquífero tem sua área de recarga e sua área de descarga. Ao local onde ele brota, formando uma nascente, chamamos de área de descarga. Como ele se recarrega? Nas partes planas, com a água das chuvas, que é absorvida pela vegetação nativa do Cerrado. Essa vegetação tem plantas que ficam com um terço de sua estrutura exposta, acima do solo, e dois terços no subsolo. Isso evidencia um sistema radicular [de raízes] extremamente complexo. Assim, quando a chuva cai, esse sistema radicular absorve a água e alimenta o lençol freático, que vai alimentar o lençol artesiano, que são os aquíferos.

 

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Quando se retira a vegetação na­tiva dos chapadões, trocando-a por outro tipo, alterou-se o ambiente. Ocorre que essa vegetação introduzida – por exemplo, a soja ou o al­go­dão ou qualquer outro tipo de cul­tura para a produção de grãos – tem uma raiz extremamente superficial. Então, quando as chuvas caem, a água não infiltra como deveria. Com o passar dos tempos, o nível dos lençóis vai diminuindo, afetando o nível dos aquíferos, que fica menor a cada ano.

O fato é que Brasília está com um clima alterado e o governo tenta a todo modo mostrar obras que faz para sanar o problema, apresentando construções inócuas, quando a questão é muito mais profunda. Enuanto isso, a população sofre com o calor insuportável e falta d’àgua.

Não se pode esquecer que o DF é cercado de cidades com quilômetros de plantações de sojas, como Luiz Eduardo Magalhães na Bahia, prejudicando assim todo o clima.

Com Jornal Opção

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